Governo faz primeiro encontro para reaquecer indústria naval

Foto: Matheus Aquino/Ascom SDE

A primeira reunião da força tarefa criada pelo Governo do Estado para promover o reaquecimento da indústria naval na Bahia ocorreu na última semana, na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). Além da pasta anfitriã, o encontro reuniu representantes da Enseada Indústria Naval, empreendimento instalado no Recôncavo e com potencial de movimentar este setor produtivo, da Secretaria de Infraestrutura, da Casa Civil e do Legislativo estadual. O objetivo é sinalizar ao mercado que o estaleiro é um dos projetos mais importantes da Bahia nos últimos 15 anos e, com isso, incentivar novas parcerias com investidores.

“Este grupo de trabalho transversal se propõe a pensar, a refletir como é que o Governo da Bahia pode ajudar este segmento. É incompreensível como um empreendimento como a Enseada, com potencial de gerar mais de 4 mil empregos diretos e outros 15 mil indiretos, esteja parado, refém da política desastrosa de desinvestimento protagonizada pelo governo Temer. Não valorizam a política de conteúdo local e querem sucatear a indústria naval do país. Mas é de nosso interesse, aqui no estado, fomentar este setor da economia, fundamental para a região do Recôncavo e de toda a Bahia”, afirmou Luiza Maia, secretária de Desenvolvimento Econômico.

O estaleiro Enseada é um dos maiores investimentos privados da Bahia nos últimos 15 anos, com aporte de R$ 3 bilhões em Maragojipe, onde está instalado, de acordo com o presidente da empresa, Maurício de Almeida.

Presente na reunião, ele destacou ainda que as recentes alterações na política de Conteúdo Local, que reduziram as obrigações de empresas construírem plataformas no Brasil, desencadeou uma competição desleal entre os estaleiros brasileiros e asiáticos. “Construímos o Estaleiro Enseada pois não haviam estaleiros suficientes para atender às exigências de Conteúdo Local estabelecidas à época. Hoje, após R$ 3 bilhões investidos no Estaleiro, o Conteúdo Local foi reduzido, transferindo as encomendas de plataformas para a China, em uma competição sem barreira tributária de importação e sem exigência de conteúdo local”, disse Almeida.

Os executivos da empresa irão apresentar à força tarefa um portfólio de possibilidades reais para a retomada de operação da Enseada, com foco na ampliação na competitividade da indústria naval baiana com outros países. “Queremos voltar a empregar cerca de 7,5 mil trabalhadores, como ocorreu no nosso melhor momento, em 2014, e voltar a desenvolver a economia da região”, reforçou Almeida.

Outro trunfo desta força tarefa é pautar o tema nas bancadas parlamentares do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa, de modo a ter uma pressão política também em torno do fortalecimento do setor naval no estado.

Enseada

O maior estaleiro do país, com área de 1,6 milhão de metros quadrados, capacidade de processar 100 mil toneladas de aço ano e único de 5ª geração no Brasil, com tecnologia de ponta e qualidade na produtividade, a Enseada Indústria Naval já foi um celeiro de oportunidades e chegou a empregar 7,4 mil pessoas, sendo 86% do seu entorno.

Para se ter um recorte deste passado, o produto Interno Bruto (PIB) de Maragojipe, em três anos, saltou de R$ 194 milhões para R$ 753 milhões, crescendo 272%. Além disso, no período de 2012 a 2015, mais de 7 mil empresas foram abertas na região, segundo dados da Junta Comercial da Bahia (JUCEB). Hoje, os 35 funcionários lotados no estaleiro cuidam da manutenção dos equipamentos na planta industrial, situada às margens do Rio Paraguaçu e no momento a empresa participa de uma tomada de preços da Marinha do Brasil que prevê a fabricação de quatro corvetas O resultado deverá ser divulgado pela Marinha até o final do ano e a Enseada compete com mais oito grupos empresariais.

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