SEC implanta Fábrica-Escola da Construção Civil em Salvador

Foto: Claudionor Jr.

A primeira Fábrica-Escola da Construção Civil da rede estadual foi instalada pela Secretaria da Educação do Estado, nesta quinta-feira (30), no Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) em Gestão Severino Vieira, localizado no bairro de Nazaré, em Salvador. A estrutura funcionará como laboratório para aulas práticas e desenvolvimento de projetos, pesquisas e intervenções sociais para estudantes dos cursos técnicos de nível médio em Construção Civil, Edificações e Desenho da Construção, bem como para os alunos que farão os cursos de qualificação profissional em pedreiro de alvenaria, pintor de obras, cadista e desenhista para a Construção Civil, que serão ofertados pela unidade de ensino.

A Fábrica-Escola é dotada de duas salas e uma área externa transformada em canteiro de obras. O espaço tem equipamentos usados na construção civil como betoneiras, furadeiras, itens de Segurança do Trabalho como capacetes, luvas, máscaras e óculos de proteção, além de kit multimídia para recursos audiovisuais. Dentre as salas, a de maquete chama a atenção pelo detalhamento da reprodução de patrimônios materiais e imateriais de Salvador e da Bahia como o Elevador Lacerda e a Baia de Todos os Santos, sendo esta última com uma sugestão de projeto para a ponte Salvador-Itaparica. As maquetes foram elaboradas pelos próprios estudantes que fazem os cursos técnicos de nível médio no CEEP.

A estudante Milena Casaes, 17, 3º ano do curso de Edificações, participou do lançamento e falou sobre as suas expectativas. “A unidade vai nos dar mais visibilidade e, consequentemente, mais oportunidades de estágio para que possamos concluir o nosso curso, que exige 150 horas e um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Com esta fábrica, vamos aperfeiçoar a formação profissional, podendo colocar em prática tudo que aprendemos na sala de aula”, disse a aluna, que após finalizar o curso técnico, pretende cursar Engenharia Civil, na universidade.

O colega Cristian Campos, 17, também destacou o papel da fábrica-escola para a sua formação. “Para nós, alunos do curso de Edificação, ela irá fortalecer a base da nossa educação, pois teremos a oportunidade de exercer na prática o que aprendemos na teoria, dentro da complexidade do processo do nosso aprendizado. Estávamos precisando desse equipamento porque geralmente a gente tinha que se locomover para uma obra e isto acarretava custos. Aqui vamos aprender, por exemplo, a manusear a betoneira (máquina misturadora de concreto) e conhecer a prática correta de usar os equipamentos de proteção individual, como capacetes, luvas, bota, óculos”, acrescentou.

Intervenção social – Tendo a intervenção social como princípio educativo, fomentado por meio de prestação de serviços às comunidades mais carente, a fábrica-escola ficará aberta à comunidade local para a capacitação e certificação de trabalhadores e para a incubação, pré-incubação e aceleração de empreendimentos com instituições parceiras. “Todo o aparato que foi montado aqui vai facilitar o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes, que terão a oportunidade de praticar os conhecimentos adquiridos em sala de aula, contribuindo para a sociedade”, disse o professor Paulo Negrão, do curso de Edificação.
Presente à inauguração, o secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, falou sobre o papel educacional e social da Fábrica-escola. “Esta unidade aqui tem um sabor especial, porque geralmente contrata-se uma empresa de Construção Civil para preparar uma escola. Aqui, os professores e estudantes que vão dizer qual a formação e ações que devemos aplicar na unidade enquanto experiência prática. Portanto, a partir de agora, a nossa fábrica-escola será requisitada, por exemplo, para acompanhar projetos e planilhas na rede estadual, podemos atuar em todas as escolas, auxiliando na formação, formando mão de obra para o mercado. Um desafio desta fábrica será a unidade interagir com a comunidade e vice-versa, a partir da visitação a comunidades da periferia e emprestar o desempenho profissional a partir da orientação técnica aos moradores de bairros periféricos”, relatou Pinheiro.

Uma tratativa, conforme o secretário, foi firmado com a Coelba visando uma formação dirigida na área de Construção Civil. “Com isso, a empresa vai poder orientar as suas empreiteiras a contratarem só aqueles alunos que passarem por esta formação. Este é o eixo pedagógico que a gente tem trabalhado no sentido da transformação da Educação na Bahia, voltada para a cidadania, para o mercado do trabalho e para a formação superior”, pontuou Pinheiro, destacar que já está em fase de implementação a Fábrica-Escola de Informática, em Salvador.

Fábricas-Escolas na rede – A rede estadual de Educação Profissional e Tecnológica já conta com três fábricas-escolas em funcionamento. São duas Fábricas-Escolas do Chocolate, uma vinculada ao Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) do Baixo Sul, no município de Gandu, e a outra ao CEEP Nelson Schaun, em Ilhéus, e a Fábrica-Escola do Couro, no CETEP Bacia do Jacuípe, no município de Ipirá.

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