Clima de enterro domina oposição na Bahia

Foto: Angelo Pontes

De frente às câmeras e microfones, e ainda nos palanques, o discurso dos caciques do DEM e PSDB na Bahia é de confiança numa virada, fora dos holofotes da imprensa, entretanto, pode-se sentir o clima de velório.

As esperanças entre os oposicionistas estavam depositadas na possibilidade de as pesquisas apontarem uma queda do governador Rui Costa, devido ao aumento da exposição de Zé Ronaldo. Tudo dependeria de Rui sair com menos de 50% e Zé Ronaldo surpreender. Ocorreu o inverso. Rui Costa ultrapassou a linha vermelha dos 50% e Zé Ronaldo não somente não decolou, como apresentou grande rejeição alta, maior do que esperavam, de 18%. Considerada alta para quem tem somente 8% das intenções de voto, a rejeição ao nome de Zé Ronaldo tende a se ampliar devido ao tom de ataque que vem imprimindo na sua campanha, limitando ainda mais seu crescimento.

A pesquisa foi acompanhada do anuncio de que o PSDB não aportará recursos de seu fundo partidário à campanha do ex-prefeito de Feira. O PSDB prefere investir seus recursos numa “aplicação” mais segura, priorizando a eleição de seus deputados federais.

Fator Irmão Lázaro

Fora da campanha de Zé Ronaldo, o candidato ao senado da chapa, o Irmão Lázaro, preferiu ficar em Pernambuco, fazendo shows. Há quem acredite, entretanto, que o que ele pretende é se descolar da imagem de Zé Ronaldo e de Alckmin, candidato a presidente de Zé, mas não do cantor evangélico. A estratégia já ganhou o apelido de “carreira solo”. “Traição” é o mínimo que se diz no PSDB e DEM sobre o candidato a senador e cantor.

Fator Lula

Perplexos, os caciques do DEM e do PMDB assistem o impressionante crescimento do PT em todo o país. Mesmo com a prisão, Lula cresce em todos os lugares e Haddad vai junto. Os analistas políticos são unanimes ao afirmar que no segundo turno, o PT deverá ter seu lugar assegurado.

Segundo o Datafolha, o PT é o partido preferido de 24% dos eleitores, o melhor índice dos petistas desde 2014.Para se ter uma ideia do que isso representa, todos os demais partidos juntos somam somente 12% da preferência do eleitorado.

Por isso, a ordem na oposição é tentar manter todas as lideranças no barco, mesmo ele entrando água; uma tarefa difícil em uma chapa tão pragmática e dividida.

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