“Dia D” da reforma do ensino médio fracassa no Brasil e na Bahia

Foto: Geraldo Carvalho/Educação

“A tentativa do governo federal de impor uma reforma do ensino médio fracassou em todo Brasil”. A análise é do presidente da Associação do Sociólogos do Estado da Bahia (ASEB), Edson Valadares. A realização nesta quinta-feira (2) do Dia D para que as escolas de todo o país debatessem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não foi boa para o Ministério da Educação no Brasil e entre as unidades baianas. A data foi marcada por desconhecimento sobre o assunto e manifestações contrarias à proposta.

Os debates previstos foram limitados e com baixa adesão. No máximo os professores preencheram um formulário, assistiram um vídeo ou alguma palestra sobre o assunto, mas não com a profundidade necessária. “Precisam entender que as coisas não funcionam assim, não basta Brasília empurrar um modelo educacional sem considerar a opinião de educadores. As respostas dadas para a BNCC neste Dia D foram de denúncias e de protestos da comunidade escolar em todo país e em todos estados”, afirmou o presidente da ASEB.

“A proposta de reforma do ensino médio do governo Temer é um retrocesso à universalização de uma educação de qualidade e para todos, uma grave ameaça para o futuro da nossa juventude”, resumiu Valadares. A BNCC prevê a obrigatoriedade apenas de oferta das disciplinas de língua portuguesa e matemática, sendo que as demais, como história, geografia, sociologia, física, artes e etc ficarão à critério ou disponibilidade dos estados, das escolas e dos alunos.

Na proposta, a parte do currículo não obrigatória pode ser cumprida fora da escola, por meio de certificações emitidas por centros de aprendizagens públicos ou privados. Outro ponto preocupante é a previsão de que até 40% da carga horária poderá ser ofertada via Educação à Distância, indicando desemprego para professores.

A ideia do Dia D era discutir mais de 150 páginas da proposta com meio milhão de professores brasileiros em apenas um único dia. “Foi uma tentativa desesperada de aprovar uma BNCC sem alterações estruturais. Mas o que ocorreu, inclusive na Bahia, foi que a maioria dos professores manifestou opinião adversa e pediu a devolução da proposta ao MEC, bem como a revogação da Lei que institui a reforma do ensino médio”, explicou o sociólogo.

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