Exclusivo: Elinaldo e Caetano se beneficiam com “caos” em Camaçari

As duas maiores lideranças políticas de Camaçari – o prefeito Elinaldo Araújo (DEM) e o deputado federal, Luiz Caetano (PT) – assistiram de camarote o “caos” instalado no município após os últimos escândalos de corrupção na administração pública na cidade.

Porém, assim como nos tradicionais filmes da máfia japonesa, quem você menos espera é que está por trás do golpe. Curiosamente, a instabilidade política causada pela denúncia do Ministério Público (MP) – dizem nos bastidores da política – tem sido “aproveitadas” e, quiçá, contaram com um empurrãozinho de Elinaldo e Caetano, que apesar de em campos opostos enfrentam inimigos parecidos.

Por um lado, Caetano teve sua relação desgastada junto ao PT de Camaçari e com o diretório estadual petista ao empurrar “guela” abaixo o forasteiro e “pelego” Raimundinho da JR como seu candidato a deputado estadual na vaga de Luiza Maia.

Caetano tinha três obstáculos: Teo – seu braço direito e primeiro da fila para o posto de candidato a deputado estadual; Marcelino – que não goza da confiança de Caetano e nem da militância do PT; mas que por sua trajetória no partido é o segundo da fila e, o “novato” Jackson Josué, vereador mais votado do PT e atual presidente da legenda em Camaçari, o mais esperançoso.

Jackson forçou uma decisão do Diretório Municipal, mas viu que mesmo como presidente, seu apito é mudo e Caetano manda e desmanda no PT de Camaçari. Sem acordo entre Teo e Marcelino, a decisão era levada em banho maria até a denúncia contra a Câmara de Vereadores, que atingiu os três petistas. Aos aliados, Caetano revela que o episódio manchou os três vereadores e inviabiliza a candidatura de todos eles nesta eleição, além é claro, de nenhum vereador ter dinheiro para bancar uma eleição “perdida”.

Entre um café, almoço e janta no sítio Caetano vai empurrando o nome de Raimundinho, que espertamente retribui com o que ele tem de melhor: dinheiro. Até os petistas mais radicais se derretem a ver notas de R$ 100 em cima da mesa.

Do outro lado, trancafiado em seu gabinete, Elinaldo (DEM) deixou o mar pegar fogo para comer peixe frito. Como não ia se indispor com ACM Neto, que indicou Juliana Paes para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Camaçari, o “parceiro do povo” resolveu não afastar a secretária e aguardar o trâmite judicial, o que o livrou do problema de se indispor com o prefeito da capital baiana.

Por outro lado, o afastamento de Oziel Araújo (PSDB) foi bem visto com bons olhos pela cúpula do DEM, tendo em vista que o pastor abiscoitou todos os cargos da Câmara e os repartiu com os membros de sua igreja. Com Oziel fora, Gilvan, que de conselheiro político de Ademar tornou-se principal articulador político de Elinaldo na Casa Legislativa, ganhou mais confiança de Elinaldo.

Por fim, com os mandatos em xeque, os vereadores governistas não têm outra escolha a não ser se recolher as suas respectivas insignificâncias e apoiar, em bloco, a candidatura do vice-prefeito José Tude, que arriscará a sorte ao tentar uma vaga na Assembleia Legislativa.

Pode até parecer um filme com Kubrick na lente e Tarantino no roteiro, mas a trama faz total sentido. O filme ainda não acabou, aguarde caro leitor, o próximo capítulo da série.

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