Professora denuncia desmonte do IAT na gestão do PDT

Em carta ao presidente do PDT baiano, o deputado federal, Félix Mendonça Júnior, uma professora teceu duras críticas ao desmonte realizado pela legenda, que comanda o Instituto Anísio Teixeira (IAT).

“Trata-se de registrar nas páginas da Educação da Bahia um período de acentuado retrocesso, senão vergonhoso, no que tange à competência institucional precípua do IAT”, escreve a professora Iraildes A. Sales na carta que você pode ler na íntegra abaixo:

CARTA AO DEPUTADO FELIX DE ALMEIDA MENDONÇA JÚNIOR
11 de dezembro de 2017.
Alagoinhas, Ba.

Exmº. Sr. Deputado,

Com o devido respeito, na condição de cidadã, professora, e motivada pela força discursiva que, especialmente, toca-me uma voz parlamentar quando o assunto é Educação, exponho-me a fazer esse registro confiante em que possa chegar-lhe com a lucidez do meu objetivo.

Pauto, inicialmente, o amplo destaque de vossa representatividade no processo de nomeação e, consequentemente, no mandato da atual gestão do Instituto Anísio Teixeira – IAT – BA. Não obstante, recorda-me o impacto de vossa presença quando compunha conosco, em auditório, o público que acolhia o ingresso daquela nova equipe, fato que nos convidava a uma confiança diretamente relacionada à vossa imagem, Exmº Deputado.

Na natural turbulência da atmosfera política que afetava os profissionais direta e indiretamente vinculados ao órgão, a sua maioria, de professores, reafirmava consigo mesma, e no espírito da coletividade, o compromisso pelo crescimento das ações próprias e inerentes ao IAT, independente de seu vínculo empregatício. Fosse por inclinações partidárias, simpatias pessoais, interesses individuais; indiscutivelmente, emanava da maioria uma vontade superior: nova gestão, novas realizações educacionais!

Passados seis meses, e uma sequência de resultados produzidos por tal gestão apontam inúmeros prejuízos ao Instituto Anísio Teixeira – IAT. O que a atual gestão, no âmbito da competência do referido órgão, pode apresentar sobre a atuação do FORPROF – Ba, enquanto responsável por sua vice-presidência? Qual a contribuição prestada pelo IAT, no mandato dessa gestão, na implementação da política de formação de professores discutida por meio do CONSED? Qual a evolução do desenvolvimento dos projetos pedagógicos educacionais lotados no órgão, estes de alcance a todos os 27 Núcleos Territoriais de Educação e suas 1.300 unidades de ensino fundamental e médio? Quais iniciativas dessa gestão promoveram as ações da Universidade Aberta do Brasil no tocante àquelas sob coordenação dessa gestão? Aonde foram parar as parcerias nas ofertas de cursos com órgãos e Institutos (como as proposições com a Embaixada Americana, com a da Espanha, com o ACBEU, com os setores da própria SEC etc)? Quais as atividades foram efetivamente realizadas em parceria com IPES, com Universidades? Quantos despachos orientaram pela suspensão de atividades em pleno atendimento à sociedade? Quantas ordens submeteram ações à sua extinção? Quantos planos de trabalho foram interrompidos e/ou tiveram seus objetivos deturpados? Quanta manifestação de gabinete ignorou (ou ignora) a importância da articulação com a Secretaria da Educação …
Pergunta-se: Qual a concepção de formação de professor está sendo impressa por essa representação que responde atualmente pelo IAT? Perguntar-se-ia… pergunta-se… pergunta-se… Não necessariamente poderiam ser esses os questionamentos, mas o certo é que o vazio que predomina no órgão clama por socorro!

Com o timbre de autofalantes, muitos depoimentos de servidores, colaboradores, professores, ecoam e circulam entre grupos e, até, em redes sociais personalizadas. São situações características que tipificam danos e assédios, cenas de desrespeito, atitudes agressivas à dignidade do trabalhador, do servidor público, tratos e tratamentos ultrajantes. Há que se abrandar, na dimensão inclusive, das relações interpessoais, o descompasso vexatório entre as representações da estrutura organizacional desde o alto escalão dos cargos! (Abro aqui parênteses para incluir o meu atestado de vítima (e indignação) pela conduta de meu superior, cujo registro fiz, na ocasião, junto à Subsecretaria da Educação, e pelo que me reservei providências legais aplicáveis ao caso).

Exª., urge atenção ao cenário! Trata-se de registrar nas páginas da Educação da Bahia um período de acentuado retrocesso, senão vergonhoso, no que tange à competência institucional precípua do IAT.
É com tristeza que assistimos ao Instituto Anísio Teixeira, órgão de referência em nosso Estado, cujo status e renome carregam um conceito empreendido por sua história educacional, encontrar-se sob tão expressiva limitação.

Posto que a sociedade docente conheça vosso discurso na matéria Educação, há de defendermos haver um distanciamento e incoerência desses ocorridos frente aos princípios de sua atuação nessa esfera.
Certa da compreensão e escuta, renovo o respeito e seriedade com os quais intuí esse diálogo, ao tempo que confio atenção.

Cordialmente,
Iraildes A. Sales

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