A armadilha da medicalização excessiva de crianças e adolescentes

Um alfaiate queria muito vender um colete. Um homem experimentou e percebeu uma irregularidade na parte inferior, mas foi convencido pelo alfaiate a abaixar o ombro. Viu que a lapela estava enrolada, mas atendeu à sugestão de abaixar a cabeça para que ninguém percebesse. Sentiu que o gancho apertava e cedeu à recomendação de puxar com uma das mãos. Feito isso, comprou o terno defeituoso e saiu às ruas. Ao ver o homem, todos sussurravam sobre o belo terno trajado pelo aleijado.

Assim como o rapaz que comprou o terno, a competição instalada no mundo escolar, acadêmico e corporativo tem gerado uma demanda por fármacos que quase sempre mascaram uma realidade de angústias. A excessiva medicalização de crianças e adolescentes, sem criteriosa avaliação e acompanhamento médico, precisa ser amplamente discutida. Num horizonte próximo podemos ter gerações de adultos com sérios problemas emocionais, sobretudo transtornos de ansiedade e depressão.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que o Brasil é o segundo mercado mundial no consumo do metilfenidato, utilizado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O aumento de consumo em pouco mais de dez anos foi de 775%. O padrão de alta competitividade no ambiente escolar trouxe inversão de valores éticos e morais, que adoece as crianças, ao tempo em que enriquece a indústria de fármacos. Essa é uma guerra que deixa consequências nefastas.

Educar não deve ser apenas transformar alunos em depósitos de informações. Abrir o diálogo para compreender as relações no ambiente escolar e familiar, e contextualizar os dramas que acontecem nesses espaços é um desafio necessário. O médico psiquiatra Içami Tiba, no livro ‘Disciplina, limite na medida certa’, reforça a importância da complementaridade e da contextualização hierárquica e de autoridade. O aprendizado também é reflexo do equilíbrio físico, mental e emocional.

Daniella Sinotti é Terapeuta Transpessoal Sistêmica, jornalista e apresentadora de Rádio. Utiliza clinicamente a abordagem da Terapia Transpessoal Sistêmica (TTS), criada por Jordan Campos. Trata-se de uma terapia intensa e com acesso direto aos conteúdos inconscientes, na qual é utilizada a terapia regressiva, reprogramação mental, iridologia, constelação familiar, física quântica e biopsicossomática.
Locais de atendimento: Empresarial Thomé de Souza – SALA 608 – Av. ACM, 3244 Caminho das Árvores – Salvador – BA

Mundo Zen Terezinha Lopes. Condomínio Amsterdam. Lauro de Freitas.

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