A quem interessa calar a imprensa em Camaçari? A quem interessaria a morte de um jornalista?

Um dos maiores estrategistas político-militar da história, Napoleão Bonaparte, disse uma frase que resume perfeitamente o poder da imprensa na sociedade: “Tenho mais medo de três jornais do que de cem baionetas”. Os meios de comunicação, ainda que não determinem a opinião do cidadão, é responsável pelo agendamento dos temas que serão debatidos pela sociedade. O enquadramento das notícias e a forma que são apresentadas ao público exerce grande influência na forma de ver, compreender e interpretar. Por isso, é preciso que o jornalista seja transparente em seus princípios, valores e ideologia. Não existe isenção, não existe imparcialidade no jornalismo. Como já cravou Nietzsche “não existem fatos, apenas interpretações”.

Por isso, a primeira medida que adotei ao criar o Badogada foi publicar a política editorial do site jornalístico, para que de forma clara e objetiva os leitores saibam exatamente qual é o posicionamento editorial, bem como a ideologia e os princípios do editor do Badogada. Creio que a transparência nesse contrato de leitura com o leitor é fundamental, pois assim, se estabelece uma relação sincera entre jornal e público.

Infelizmente, no Brasil, as empresas jornalísticas se escondem atrás do falso mito da imparcialidade e enganam os seus leitores ao entregar notícias manipuladas, repletas de interesses econômicos, políticos e simbólicos. Na Bahia, em especial a Região Metropolitana de Salvador, área inicial de atuação do Badogada, não existe sequer um jornal/site/televisão/rádio/impresso que seja isento ou imparcial. A maioria, como se diz em bom “baianês” recebem, por debaixo do pano, dinheiro vivo ou verbas publicitárias para “falar bem” ou “falar mal” de uma empresa, um político, uma personalidade. Os demais, são as mídias alternativas, que são movidas mais por questões ideológicas do que necessariamente “barganhar” dinheiro em troca do velho “morde e assopra noticioso”, visto, lido e ouvido pelos jornais nosso de cada dia.

Estabelecido esse “pacto” com os leitores, seguimos com profissionalismo e qualidade o exercício do jornalismo. Em menos de um mês de atividade, as nossas “badogadas” (como carinhosamente são chamadas as nossas notícias) quebram o telhado de vidro de muita gente em Camaçari e Lauro de Freitas. Sem falsa modéstia, a experiência de 13 anos no jornalismo, o meu nome consolidado e respeitado no campo da comunicação baiana, aliada a uma rede de colaboradores, tornou o Badogada um site lido e respeitado, odiado por uns e amado por outros…normal, afinal fazemos um jornal para despertar sensações nos leitores e não um jornalismo sensacionalista, que oferece sangue, recheado de informações inúteis sobre o Big Brother ou são meros replicadores de releases oficiais das Prefeituras. Nada contra, mas o Badogada não seguirá essa linha!

As primeiras matérias, principalmente, no município de Camaçari, onde o Badogada faz e fará uma oposição programática ao governo do prefeito Elinaldo Araújo (DEM) despertou a ira do “time azul”, pois a cidade foi passada a limpa. Denunciamos os reais beneficiados com os contratos emergenciais, o nepotismo na Prefeitura de Camaçari, os erros da gestão pública no município, tanto no executivo como no legislativo. O mesmo trabalho foi realizado em Lauro de Freitas, onde apesar de claramente expressarmos as nossas vibrações positivas para o êxito da prefeita Moema Gramacho (PT), denunciamos também a imoralidade em contratos, revelamos nomeações obscuras e salários exorbitantes que gerou um grande debate na cidade. Assim é o jornalismo. Esse é o papel que iremos desempenhar.

Ameaças
Diariamente, somos xingados pelos adjetivos (negativos) mais lindos que existem (estão todos em nossa página ou nos comentário no site, leia e divirta-se). Particularmente acho válido, pois tem palavrões que nunca tinha lido ou ouvido e expressões que fizeram rir, como a pérola (perdoe leitor o vocabulário) mas um amável leitor escreveu:”vá lavar o cú com água de pica”. Como não rir?

Por outro lado, o Badogada também tornou-se referência para os ilustres coleguinhas jornalistas da Região Metropolitana, que por falta de estrutura dos seus respectivos veículos, e com redações cada vez mais enxutas, muitas vezes não conseguem nem colocar os pés na rua para apurar uma matéria e dão uma olhadinha no “badoque” para saber o que acontece na região. O Badogada tornou-se também um meio onde os oprimidos e injustiçados batem à porta para pedir uma ajuda: “publique aí uma matéria, todo mundo lê o seu site, quem sabe nos ajude a receber o nosso salário” e uma infinidades de denúncias e reclames que são devidamente apurados e noticiados, como manda os códigos deontológicos da profissão.

Na Fan Page, nos grupos de WhatsApp, por email e telefone, dia após dias insultos, ofensas e acusações infundadas fazem parte da nossa rotina, mas não ligamos, faz parte do processo jornalístico e, em uma sociedade marcada pela falta de identidade e personalidade, assumir um posicionamento, ainda mais no campo da comunicação é extremamente natural receber esse tipo de reação. Contudo, existem limites morais, legais e profissionais e essa barreira, caro leitor foi extrapolada nesta sexta-feira (17), por isso esse longo texto.

Primeiramente (#ForaTemer), o Badogada sofreu, no início de fevereiro, um ataque distribuído por negação de serviço (DDoS), que deixou o site fora do “ar”, após publicarmos uma série de matéria contra a gestão do Prefeito Elinaldo, o caos na saúde municipal e noticias que quatro vereadores de Camaçari correm o risco de perder o mandato. Faz parte do jogo! Migramos para um servidor maior, mais seguro e mais caro. A autoria do “ataque” foi assumida pelo Movimento Cibérnetico Pró Camaçari (sic) que no geral diz que se continuarmos “a tumultuar” não teremos “paz online” (ameaça encaminhada abaixo).

Sinceramente, fiquei um pouco decepcionado com o Movimento, primeiro porque não sabem escrever cibernético e segundo por usar a Tor Anonymity Network para mandar uma mensagem e deixar os logs no servidor, assim o trabalho do delegado Charles Leão, titular da delegacia de Crimes Virtuais ficou fácil, fácil. Paro aqui a pedido da polícia e recomendação dos advogados.

Como paz é um estado de espírito (ainda que não acredite em alma) ajustamos o nosso “badoque” e seguimos para fazer o que fazemos a cada dia melhor: Jornalismo. Continuamos a “badogar” e as ameaças e ofensas tornaram-se mais frequentes, ao ponto de, nesta sexta-feira (17), tocar o telefone e uma voz misteriosa anunciar: “ou acaba com essa palhaçada em Camaçari – no caso o badogada – ou morre”, sentenciou.

Atendi ainda sonolento após virar a madrugada cruzando dados para…(em breve vocês irão ler no Badogada). Número privado, nada que a operadora e a polícia não identifique. Abro o WhatsApp e dezenas de mensagem no privado, nos grupos, ligações perdidas…. Então me dou conta que o Badogada, em especial este que vos escreve, logo cedo, foi assunto da entrevista do deputado federal Caetano (PT) ao radialista Roque Santos, em seu programa Bahia no Ar, arrendado na Rádio Sucesso FM 93,1 (arrendar programa não era crime?). Tanta coisa acontecendo em Camaçari, na Bahia e no Brasil, e o radialista se prestar a um papel pueril desses….(veja o trecho abaixo):


O Badogada é meu, inteiramente meu, pago do meu bolso! Quem mais pode dizer o mesmo?

Entrevista completa na rádio Sucesso FM.
Difamação e calúnia, o “destemido” radialista, que em breve, será um advogado, já sabe que constitui crime e pelo visto a ética e os bons modos passou longe. Mas, amarra-se o burro a vontade do dono e jornalismo eu só debato com pessoas qualificadas, principalmente em sala de aula das quatro universidade em que leciono sobre jornalismo ou nos bancos da academia, junto aos meus pares.

Abro o Badogada e….puf. Fora do “ar”, mais uma vez. Mais um ataque. Seria orquestrado? A ligação telefônica, a “mensagem de amor na rádio” e ameças de morte (matada)?

A quem interessa calar a imprensa em Camaçari? A quem interessaria a morte de um jornalista? Certamente não seria a sociedade, mas àqueles que levaram uma badogada certeira, estou certo? A ameaça tem cor e…

– Tá bom, Dr. O advogado já está aqui do lado dizendo que basta. Já entreguei a carta aos advogados com todas as informações necessárias, os dados do servidor, as gravações telefônicas, nome dos suspeitos e as provas. A matéria final com toda a verdade também já está pronta caso as ameaças se concretizem.

***
Gratidão pelas mensagens de apoio, aos advogados, amigos da Polícia, aos jornalistas e aos leitores.

A nossa munição é a verdade e o jornalismo é certeiro, doa a quem doer, acertaremos na mosca.

#MabrukSalam
Yuri Almeida
Editor do Badogada

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