Crônica de uma (trágica) gestão anunciada

Foto: Divulgação

O feirante que deixou fechar a Feira de Camaçari (que ironia, hein?) Elinaldo Araújo (DEM) precisa tomar tento na vida e tomar posse como prefeito de Camaçari e, o mais importante: honrar cada um dos 73.994 votos que obteve nas urnas, votos que representaram a esperança no novo, na mudança e na “parceria com o povo”.

Em quase 45 dias de gestão, Elinaldo já demonstrou toda a sua falta de capacidade, não é? Ou será que o resto do mandato vai ser marcado pelos erros pueris cometidos no início da gestão? Não é possível piorar! Ou será que…o que já está ruim ainda pode ficar pior?

Infelizmente, considerando os acontecimentos desta fatídica segunda-feira (13), a resposta indica que sim. Camaçari vai amargar mais quatro anos com um péssimo gestor. De concreto, além de praticar nepotismo, dispensar licitação para beneficiar as empresas ligadas ao DEM, colocar o time azul na reserva, demitir servidores municipais e não pagar os direitos trabalhistas, cancelar as festas tradicionais o que Elinaldo fez mesmo?

Nas duas oportunidades que teve para colocar em prática a verborragia, que realizou por oito anos na Câmara de Vereadores, Elinaldo falhou e falhou feio. Parece ainda assombrado pelo espectro de Caetano e a tal herança maldita deixada pelo governo Ademar. Elinaldo pegou uma Prefeitura caótica, sim não se pode negar, mas teve três meses para fazer a transição e 45 dias para fazer o que ele mesmo disse que faria: “resolver o básico”.

Elinaldo teve duas chances para mostrar que era “parceiro do povo”, porém…Primeiro, deixou os estudantes universitários da UFBA, IFBA e Senai sem o Transporte Universitário por 35 dias. Foi preciso o reitor da Universidade Federal da Bahia “dar um sacode” no prefeito para ele encontrar uma solução emergencial e resolver o impasse e garantir o direito básico dos camaçarienses a educação. Aí, Elinaldo me faz um contrato emergencial com a empresa DZSET Transporte e Logística LTDA – ME, por mais de R$ 2 milhões, que forneceu ônibus sucateados, com IPVA vencido, sem dedetização e de acordo com a Polícia Rodoviária Estadual, em péssimas condições de uso, colocando inclusive a vida dos estudantes em risco.

Na semana passada, como noticiou o Badogada, os ônibus que faziam o roteiro dos estudantes caíram na blitz da Polícia e foram apreendidos com uma série de irregularidades. Nesta segunda-feira (13), nova blitz e novamente ônibus foram apreendidos e os universitários amargaram mais um dia sem aula. Os que passaram na blitz quebraram no meio do caminho. De acordo com o relato dos estudantes, além de fétido, o ônibus estava igual a gestão de Elinaldo: pegando no tombo e apagando do nada. Diferente de Elinaldo, que não sabe conduzir Camaçari, o motorista do ônibus foi classificado pelos 48 estudantes como um verdadeiro “anjo da guarda”, pois além de conseguir segurar a carniça do ônibus e evitar um acidente, fez uma gambiarra e conseguiu “tocar o buzu” para frente, após a sucata motorizada apagar no Dique do Tororó, em Salvador.

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De volta a Camaçari, Elinaldo provou a sua falta de habilidade política e capacidade de articulação. Resultado: a Feira, a sua segunda casa, como ele mesmo disse, foi fechada pela Justiça por falta de ações básicas emergenciais. Que filho é esse que não luta por sua casa, que parceiro é esse que não luta pelos seus amigos feirantes, com os quais convive desde os 11 de idade? Que a Feira era uma bomba-relógio todo mundo sabia, inclusive o próprio Elinaldo, que tinha sua banquinha do jogo do bicho no centro comercial, sem pagar luz, água e condomínio por anos. Aliás, cabe lembrar, que a atividade ilícita praticada por Elinaldo na Feira rendeu a ele e familiares a prisão, por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e jogo de azar.

É verdade que em 45 dias não se muda uma cidade, mas é tempo suficiente para cuidar da nossa casa. Se a Feira, que, insisto, era a segunda casa de Elinaldo ele tratou com desdém, falta de emprenho e bravura, triste de cada lar camaçariense daqui para frente.

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